Desde janeiro de 2013, com a posse do novo prefeito e a urgência urgentíssima de alterar os rumos administrativos do Hospital Germano Lauck, já se percebia que alguma coisa errada existia e falo isso por dois motivos bem simples, não se altera uma estrutura de tal porte em apenas três meses como fizeram os novos mandatários e isso era visível. Existia uma determinação do Ministério Público neste sentido mas até que ponto o digno promotor estava correto em suas investidas, se é que realmente houve.
Já era sabido que a cobrança estava relacionada a inconstitucionalidade quanto a administração ser efetuada por uma empresa terceirizada, no caso a Pró-saúde. Mas era sabido também que o mérito da questão quanto a legalidade constitucional ou não estava nas mãos - e que ainda está - do Supremo Tribunal. Sendo assim, aquilo que se pensa ser inconstitucional ainda não o é e, entre os polos da discussão, existe um interesse muito maior, que extrapola o pensamento de um legislador público, seja ele em que esfera for, que é o interesse coletivo.
Mas as coisas andaram como queriam, o factoide foi criado e desde as mudanças efetuadas, até os leigos como esse que vos escreve, via sem a necessidade de documentação, que alguma coisa andava errada e muito errada. Já naquele tempo publicações sem vínculo ao governo já apontavam e mostravam os problemas, vereadores (dois ou três) já lutavam na justiça pelo direito, esse sim constitucional, de acesso a documentação que nunca era entregue, o atendimento que outrora caminhava para uma excelência, hoje se arrasta e falo por experiência própria e o resultado, teve gente que viu o que isso poderia acarretar no futuro e não deu outra, pulou do barco, mesmo sabendo que mais dias ou menos dias será alcançado pelos tentáculos da justiça.
Citar aqui os desmandos que agora começam a vir a tona não seria necessário em razão da ampla divulgação que existe mas estranha o fato de que quem comanda a direção da Fundação, vir a público dizer que só se manifesta após a investigação do Ministério Público, seria uma estratégia para se ganhar tempo? E já que no inicio do ano que se passou, quando a correria foi grande para atender o mesmo MP, vai agir na mesma velocidade se ele pedir o fechamento da Fundação Municipal? Se atender tal determinação, existe já um plano emergencial para não caducar ainda mais o atendimento à saúde?
O antigo prefeito deixou uma herança de 6 mil atendimentos na área de ortopedia para serem realizadas, foram oito anos de governo. Em menos de um ano e meio depois tal número já dobrou. Uma senhora, grávida de seis meses necessita realizar uma tomografia e entra na fila. Sua posição é superior a 600, pergunta-se, o médico pediu o exame na criança?
Nós que temos um pouco mais de conhecimento e talvez recursos, acabamos de uma forma ou outra dando um jeito, como diz o velho ditado. Mas e o coitando - sempre ele - de parcos conhecimentos, o que ele está sabendo a respeito. Qual o motivo da mídia de massa, tão preocupada com o povo, não abrace a causa, dê conhecimento aos menos favorecidos daquilo que realmente esta ocorrendo? É dever do comunicador, no meu modo de pensar, colocar seus leitores ou telespectadores a par da verdade, agindo-se de forma contraria, os inquilinos do poder deitam e rolam, eles passam, nós não.
Vamos enfrentar a quarta feira e ver qual será a última do dia pois estamos em fase de cem obras e sem saúde.
